PL e PSDB pedem vista para adiar votação da PEC do fim da 6×1 na CCJ da Câmara
Data: 15 de abril de 2026
A votação sobre o fim da escala 6×1 foi adiada nesta quarta-feira (15) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O motivo? Um pedido de vista coletivo apresentado por lideranças do PSDB e do PL, segundo informações da Agência Brasil. Enquanto isso, o presidente Lula já tinha enviado ao Congresso, na terça (14), um projeto de lei com urgência constitucional para resolver a questão fora da PEC 221 de 2019.
A estratégia do governo é clara: se a PEC demora, que a lei ordinária avance. O PL com urgência precisa ser votado em até 45 dias ou tranca a pauta do plenário. Não sobra muito tempo para quem quer obstruir, como prometeram publicamente os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, em encontro com empresários em São Paulo em fevereiro, conforme reportagem da Agência Brasil.
Na sessão de hoje, o relator Paulo Azi (União-BA) votou pela admissibilidade da PEC, rejeitando argumentos de que a redução da jornada seria inconstitucional por impacto econômico. Azi argumentou que não há necessidade de estimativa de impacto orçamentário em PECs e que a assimetria de poder entre capital e trabalho justifica a intervenção estatal. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma das PECs apensadas, foi direto ao ponto: “Não há produtividade com o trabalhador adoecido, com o trabalhador esgotado, com o trabalhador exausto”, segundo a Agência Brasil.
O deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) reclamou que o PL com urgência “enterra a discussão da PEC”, já que o prazo de 45 dias é menor que o necessário para debater adequadamente em comissão especial. Rubens Pereira Júnior (PT-MA) rebateu que um projeto não prejudica o outro e que a urgência foi necessária justamente porque líderes da oposição prometeram obstruir a tramitação.
A ironia aqui é deliciosa: enquanto a oposição pede mais tempo para “analisar minuciosamente” um tema que discute há anos, o governo coloca um cronômetro de 45 dias na mesa. E o trabalhador que labuta seis dias por semana continua esperando.




