Gustavo Gayer é condenado por ofensas misóginas contra Gleisi
Data: 10 de abril de 2026
A Justiça do Distrito Federal condenou o deputado federal bolsonarista Gustavo Gayer (PL-GO) a pagar R$ 20 mil de indenização por ofensas misóginas contra a ex-ministra das Relações Institucionais Gleisi Hoffmann (PT). A sentença, proferida nesta quarta-feira 8, também obriga o parlamentar bolsonarista a publicar uma retratação nas redes sociais em até dez dias, sob pena de multa diária de mil reais.
O caso remonta a março de 2025, quando Gayer publicou no X um vídeo insinuando que o presidente Lula estaria “oferecendo” Gleisi aos líderes do Congresso da mesma forma que um cafetão faz com uma garota de programa. Na mesma postagem, o deputado sugeriu que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deveria formar um trisal com Gleisi e seu marido, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
As insinuações vieram após Lula mencionar que havia nomeado uma mulher bonita para a articulação política. O comentário presidencial, ainda que inadequado, serviu de gancho para que Gayer transformasse a situação em ataque sexualizado contra Gleisi.
O desembargador Alfeu Machado, relator da 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do DF, foi direto ao ponto. Descreveu a linguagem utilizada por Gayer como chula, sexualizada e completamente desprovida de qualquer conteúdo político ou institucional. Para o magistrado, a representação pública vai além de medida reparatória, possuindo função simbólica e pedagógica relevante, especialmente quando a ofensa ocorre em ambiente de ampla exposição digital envolvendo agentes públicos.
A decisão reformou a sentença de primeira instância, que havia negado o pagamento da indenização. O colegiado entendeu que o ataque não se enquadra em crítica política legítima, mas em violência de gênero disfarçada de opinião.
Gleisi e Lindbergh divulgaram um vídeo manifestando-se sobre a condenação. “Isso não é só uma vitória individual. É um recado claro: mulher não pode ser alvo de machismo e violência política”, afirmou Gleisi. A fala resume o que a sentença tentou estabelecer: existe uma diferença fundamental entre discordar de uma política pública e reduzir uma mulher a um objeto sexual.
O caso ilustra um fenômeno cada vez mais comum na política brasileira. Quando mulheres ocupam posições de poder, frequentemente enfrentam ataques que extrapolam a crítica política para entrar no território do assédio moral e sexual. Gayer não questionou a competência de Gleisi, sua experiência ou suas decisões. Simplesmente a sexualizou e a humilhou publicamente.
A condenação estabelece um precedente importante. Não se trata apenas de proteger Gleisi, mas de sinalizar que plataformas digitais não são espaços sem consequências para violência política contra mulheres. A multa diária de mil reais, caso Gayer não cumpra a retratação, funciona como incentivo para que ele de fato publique o pedido de desculpas.
O que torna a situação particularmente relevante é o contexto. Estamos em um momento em que mulheres conquistam mais espaço em cargos de decisão, mas ainda enfrentam resistência disfarçada de humor ou crítica. A Justiça, neste caso, recusou-se a aceitar essa disfarçada.




