Filme de Bolsonaro custou mais que Lei Rouanet em 21 estados
Data: 18 de maio de 2026
A produção audiovisual que vai contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro está consumindo um orçamento que até agora bateria o investimento público em incentivo cultural, por meio da Lei Rouanet que os bolsonaristas tanto odeiam, de um terço do país.
O valor negociado entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse” ultrapassa R$ 134 milhões, conforme revelou o The Intercept Brasil. Para ter dimensão do que isso significa, esse montante é superior ao que a Lei Rouanet conseguiu captar em cada uma das 21 unidades federativas das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além de Espírito Santo e Santa Catarina, durante todo o ano de 2025. Os números saem da plataforma Salic Comparar, do Ministério da Cultura, que centraliza as informações sobre captação via Lei Rouanet.
A comparação chegou a circular entre bolsonaristas como argumento para criticar a Lei Rouanet, como se a lei de incentivo cultural fosse ineficaz. Só que o raciocínio tem um problema: a Lei Rouanet distribui recursos entre centenas de projetos culturais ao longo de um ano inteiro em cada estado.
Segundo o portal Metrópoles, enquanto o setor cultural de 21 estados divide recursos menores ao longo de doze meses, um filme sobre uma figura política consegue fechar um acordo de mais de R$ 134 milhões com um só patrocinador. E, ao contrário do que os bolsonaristas querem fazer acreditar, o dinheiro que vem de Vorcaro é, sim, dinheiro público, que vem de fundos de pensão, planos de aposentadoria de servidores.
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